segunda-feira, 10 de junho de 2013

Os Templários: Segredos e Missão Oculta

Os Templários, envoltos numa aura de mistério, foram uma ordem religiosa e militar fundada no séc. XII com o objectivo de guardar os lugares sagrados e proteger os peregrinos cristãos que se deslocavam a Jerusalém.

Os Templários foram acusados de adorar um ídolo e mais tarde foi dito que esse ídolo seria o Baphomet. Foram também acusados de, entre outras coisas, serem apóstatas, pois negavam Cristo cuspindo na cruz.

Muitos acreditam (e acreditaram) que estas foram acusações falsas, calúnias que pretendiam acabar com o poder da Ordem. Portanto, havia razões para querer acabar com os Templários e ficar com a fortuna acumulada por estes cavaleiros.

Os cavaleiros foram obrigados a confessar e logicamente, submetidos a tortura, confessavam qualquer coisa. A verdade é que, mesmo tendo sido obrigados a confessar mediante tortura, a natureza do ídolo e o significado dos rituais nunca foram explicados satisfatoriamente, porque as confissões divergiam em alguns aspectos. E, para além das confissões, nunca foram encontradas quaisquer provas.

Há também quem defenda que eles trouxeram uma doutrina secreta do oriente e que continham segredos. Essa doutrina provavelmente requeria uma iniciação.*

Em Portugal

A Ordem do Templo teve especial importância no nascimento de Portugal como reino independente. É certo que encontrou aqui uma grande receptividade desde muito cedo.

Os Templários tiveram uma forte presença em terras lusas e Tomar foi a capital da Ordem em Portugal. Segundo alguns, a cidade encerra muitos mistérios e os monumentos possuem abundante simbologia.

Em Portugal, a Ordem transformou-se na Ordem de Cristo e continuou a existir, mas agora com este novo nome.

Para muitos, a expansão marítima portuguesa foi pioneira e terá sido principalmente a missão de uma Ordem iniciática, havendo por isso um motivo secreto. Isto soa muito romântico e pensar que Portugal teve uma missão profética secreta poderá encher algumas pessoas de orgulho. É o velho patriotismo que muitas vezes nos toma como reféns e que tanto problema tem provocado no mundo. 

Outros têm uma visão muito menos romântica da História, menos esotérica e mais crua. Também, verdade seja dita, por vezes assistimos a visões nem sempre imparciais e justas, que descontextualizam as coisas, avaliando uma determinada época baseando-se nos valores e nas ideias de hoje. Embora, no caso da religião, tenha havido violações brutais da doutrina cristã, por exemplo, por parte da instituição (Igreja Católica) e, mesmo considerando que era outra época, não deixa de ter sido grave.

O certo é que outras nações e povos também disseram (e ainda dizem) que foram especiais, tiveram uma missão, foram “os escolhidos”, etc. São coisas que servem principalmente para motivar as pessoas e nem sempre foram usadas para o melhor fim.

Mas se esta história da missão templária é mesmo verdadeira, então podemos dizer que essa missão foi cumprida com os defeitos e limitações próprias da época. Tratou-se de um grande passo para uma globalização que ainda precisa de ser muito aperfeiçoada, porque ainda é um produto inacabado, com comportamentos, mentalidades e filosofias erradas.

A criação de uma civilização global, o desaparecimento dos países e a quebra de todas as divisões artificiais- será esse o nosso destino? Seria essa a ideia dos Templários? Teriam em mente construir o paraíso na Terra?

Portanto, a derradeira missão de Portugal e da Ordem do Templo (agora com outro nome) teria sido, entre outras coisas, a de unir os povos e culturas, a miscigenação rácica, a unificação de todos os credos, etc. Por isso, por detrás de todos os interesses políticos, materiais e comerciais, por detrás de todas as aparências existiu uma missão oculta e nada foi fruto do acaso.

Com os zelosos do Santo Oficio sempre a vigiar, todo o cuidado era pouco e, apesar da extinção da Ordem dos Templários e depois do desaparecimento da Ordem de Cristo, há quem defenda que os mistérios, as doutrinas e os objectivos da Ordem permaneceram vivos dentro de sociedades secretas como a Maçonaria.




*Em relação a estas coisas das iniciações, elas ainda são praticadas hoje em dia e dou por mim a pensar que a vida por vezes já é uma iniciação. Para quê mais aparato? É evidente que quem defende as iniciações sempre encontra argumentos para defendê-las. Poderá fazer sentido ou não, embora eu ache que, não raras vezes, as razões e motivações são pouco espirituais (dependendo do conceito de espiritualidade que cada um possa ter), nada transcendentais e bem humanas.





















6 comentários:

  1. Olá Holos.
    Muito interessante esta história dos Templários (embora, confesso, não conheça muito sobre o tema).
    Segundo o livro "O Código Da Vinci" o segredo da instituição (sabê-lo-ás de certeza) era o conhecimento da descendência de Jesus Cristo, o famoso "Sangue Real"...
    De qualquer modo são histórias muito antigas e é muito dificil obter documentação daquele tempo que comprove ou não as nossas especulações. Mas não deixam de ser histórias interessantes!

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    1. Olá,
      Sim, é um verdadeiro enigma e, para quem gosta de mistérios, é uma boa história. Realmente, sabe-se muito pouco sobre os Templários e daí surgirem muitas teorias. Pode ser que um dia se encontre mais alguma coisa sobre eles (provas reais) ou então alguém já sabe de algo e permaneceu calado... nunca se sabe! Uma coisa parece ser certa, eles não foram perseguidos aqui e participaram na expansão marítima.

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  2. Em relação ao projecto templário, há quem afirme que este não correu totalmente como seria previsto. Por isso, apesar de incompleto, a partir de determinada altura foi sendo de certa forma corrompido dentro da própria Ordem de Cristo (foi publicada uma palestra neste blogue onde isso foi abordado, basta procurar, existe um link).

    Mas a propósito da descontextualização da História, das visões imparciais e injustas e também em relação a certas distorções históricas, particularmente em relação a Portugal, por parte de alguns brasileiros que comentam aqui na internet, queria apenas tocar em alguns aspectos ( não poderei abordar todos esses aspectos porque são imensos) mas faço-o tentando ser o mais neutro possível.

    Como é evidente, não pretendo nem nunca pretendi entrar em debates acesos e faltas de educação como vejo na internet, entre brasileiros e portugueses (e é preciso notar que por vezes alguns portugueses também respondem de forma imprópria) quando se aborda estes assuntos, por isso, desde já, não alimento nem alimentarei esse tipo de debate que é muitas vezes composto por competições nacionalistas totalmente sem sentido. Entendo que muitos desses ataques contra Portugal e os portugueses, para além de injustos e falsos, não favorecem ninguém (nem mesmo os próprios brasileiros). Neste sentido, queria apenas corrigir e comentar alguns desses aspectos.

    Eu poderia interpretar estes ataques de muitas maneiras, com certeza cada pessoa tem a sua própria intenção, muitos sabem que o que dizem é falso mas fazem-no com um propósito, enquanto outros são genuinamente incautos, ingénuos, sem conhecimento, e acreditam piamente em tudo aquilo que lhes é dito. Mas o que me parece é que, em relação a muitos destes, digamos, detractores de Portugal, aquilo que subjaz em todo o seu discurso é um certo ressentimento sem fundamento, um ódio até, uma necessidade de afirmação patriótica e, aliás como é apanágio de muitos brasileiros (não todos), existe uma visão distorcida da História em relação a Portugal, porque sofreram uma forte lavagem cerebral em relação à História e a Portugal, e isto, a meu ver, é fruto de um ensino distorcido da História que serviu os interesses de alguns ( muitos brasileiros concordam comigo). Portanto um problema do sistema educativo que deveria preocupar-se com outro tipo de abordagem.

    Na verdade, os portugueses não são piores nem melhores do que ninguém (e como é evidente, também não são mais burros…), mas queria apenas lembrar que em matéria de preconceitos e xenofobia, nós portugueses não somos os piores e acho que estamos em condições de dar lições a muitos outros países, inclusivamente europeus (quem não acreditar, então faça uma pequena pesquisa). Devo lembrar que, em geral, os brasileiros ( assim como outros imigrantes e até mesmo turistas) não são mal recebidos em Portugal. Portugal tem muito boa fama nesse aspecto. Logicamente preconceitos e problemas existem em todo o lado e Portugal não é excepção, mas penso que não devemos generalizar, pegando num caso ou em meia dúzia de casos isolados que não servem para retractar a realidade. E não nos podemos esquecer das anedotas e piadas sobre portugueses que alguns brasileiros contam e que são completamente desconexas com a realidade cultural portuguesa actual e altamente ofensivas (em matéria de preconceitos, todos têm seus telhados de vidro).

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  3. Também, em vários momentos, ficamos com a sensação de que os portugueses são todos uns covardes, determinadas pessoas dão a entender que os portugueses são uns covardes, pois a esses, devo informá-los de que não conhecem a Historia de Portugal, convido-os a estudar a fundo a História de Portugal (desde o inicio) e verão que os portugueses de covardes nada têm. Por exemplo,o rei não fugiu cobardemente e apressadamente para o Brasil, tudo foi planeado com antecedência, o rei teve de ir obrigatoriamente para o Brasil (que fazia parte do império português), o monarca tinha de ser protegido, para o bem de Portugal e do império português, ele continuou a governar e a reinar mas agora noutra parte do império, agora a corte estava no Brasil e assim Napoleão não conseguiu o que pretendia! Mas a historia tem de ser toda contada, não podemos contar só aquilo que nos interessa, é que os portugueses (e seus aliados) conseguiram expulsar as tropas francesas ( e espanholas) para fora do território português, foram travadas batalhas. E os portugueses ganharam, por isso de covardes nada! É melhor que alguns parem de denegrir a Historia de Portugal e é também importante não recorrer a anacronismos… A Historia do Brasil merece respeito e a portuguesa também.

    Outro erro que é cometido, talvez menos grave, é quando se diz que o rei fugiu em caravelas. Nesse seculo já não existiam caravelas, eram outro tipo de barcos. E, para além disso, em 1500, o barco de Pedro Alvares Cabral não era uma caravela, era uma nau, era um barco enorme que fazia as viagens até à India.

    Há também a questão dos escravos, penso que até já falei sobre isto numa outra publicação aqui no blogue. Escravos sempre existiram no decorrer da História, as nações europeias não inventaram nada. Por isso, é importante salientar que os portugueses não inventaram a escravatura, ela já existia em África, os próprios africanos tinham escravos e eram os próprios africanos que capturavam e entregavam os nativos para estabelecer trocas comerciais com os portugueses. Em relação à forma como os escravos eram tratados no Brasil, apenas era exigido que se respeitassem as leis do reino (ou império) e que se pagassem impostos, mas a forma como os escravos eram tratados era da inteira responsabilidade dos seus senhores, eles é que geriam e administravam todos esses aspectos. E quem eram esses senhores? Esses senhores eram os colonos e os descendentes dos primeiros colonos que nasceram no Brasil e por isso brasileiros! Por isso não culpem os antepassados dos portugueses de cá, culpem, se quiserem, os antepassados dos brasileiros! Não é? Estas pessoas nem pensam no que dizem e fazem discursos totalmente incoerentes. E quando o Brasil ficou independente de Portugal, continuou a ter escravos, Portugal aboliu definitivamente a escravatura antes do Brasil. Aliás Portugal foi pioneiro na abolição da escravatura pois já no tempo em que o Brasil fazia parte do Imperio português, havia ordens para acabar com a escravatura (pelo menos no papel).

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  4. “O Brasil era o paraíso e depois vieram os portugueses e deram cabo de tudo” “ Vocês tiveram a culpa toda” . Vocês quem?! Mais uma vez são ditas coisas sem sentido e mais uma vez devo lembrar que o Brasil é fundamentalmente um país de colonos e não de colonizados! A maior parte das pessoas que dizem estas coisas não são possivelmente descendentes de indígenas mas sim gente que veio de fora, descendentes de gente que veio de fora, por isso não faz qualquer sentido afirmar estas coisas! O Brasil não existia, o Brasil foi uma invenção dos portugueses e dos colonos brasileiros. Quando os portugueses chegaram, apenas existiam terras, com várias tribos de indígenas espalhadas pelo território, mas nenhum sentimento de unidade nacional existia, até porque muitas tribos de Índios eram inimigas. Os portugueses não mataram todos os Índios, ao contrário dos espanhóis, os portugueses foram muito mais brandos, nem tem comparação. As terras que hoje são o Brasil não eram o paraíso, estou certo de que muitas tribos eram pacíficas, essas existiam e hoje ainda existem, mas nem todas eram pacíficas e perfeitas, havia conflitos entre tribos inimigas, praticava-se o canibalismo, aliás há relatos de portugueses que foram comidos. Nem todos eram bons selvagens! Houve tribos que beneficiaram muito com a chegada dos portugueses e estavam interessadas naquilo que os portugueses lhes podiam oferecer, ferramentas etc. Não podemos analisar a historia de forma simplista de forma a encaixar na nossa ideologia! Padre António Vieira até defendeu que os Índios não deveriam ser escravizados.

    “Vocês portugueses roubaram o nosso ouro”. Mais uma vez uma tese mirabolante. Como é que Portugal podia roubar aquilo que lhe pertencia?! Vamos lá, ninguém no seu juízo perfeito rouba o que lhe pertence! Para além disso, a maior parte desse ouro não veio para Portugal, ele foi utilizado para desenvolver e construir o Brasil ( até ouvi isto da boca de alguém que possui passaporte brasileiro), mas quem não acreditar pode pesquisar. Devem verificar se o que eu digo é verdadeiro ou falso.

    “ Se o brasil tivesse sido colonizado por holandeses , ingleses, franceses, etc estaria muito melhor neste momento”. Um conselho a essas pessoas: não culpem os outros pelos vossos problemas. A responsabilidade é vossa! Se Portugal tivesse de culpar os romanos e outros povos que estiveram aqui instalados, se tivéssemos de arranjar culpados dos nossos problemas, então teríamos uma lista cheia de gente para culpar e nós não fazemos isso.

    O Brasil está cheio de imigrantes de outras nacionalidades europeias e não só, pela cultura africana também, mas a culpa é sempre dos portugueses, isso é curioso.

    Se o Brasil tivesse sido colonizado por essa gente toda, provavelmente não seria o país enorme que é hoje, estaria dividido em mil pedaços, como aconteceu com a américa espanhola. E mais, vamos ver exemplos de ex-colónias francesas, holandeses e até mesmo inglesas, basta pesquisar um pouco e ver a maravilha evoluída que são muitos desses países (estou a ser irónico claro), boa parte desses países têm problemas, infelizmente.

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  5. E por mais espantoso que possa parecer, recentemente vi, digamos, uma tentativa de competição no âmbito do ocultismo. E mesmo em relação a esoterismo e ocultismo, acho que Portugal não é assim tão mau como alguém pintava (retractava Portugal quase como se fosse um zero à esquerda). Devo dizer que Portugal tem uma longa história, com muitas antigas tradições (cristãs e pagãs), coisas bem ancestrais, umas mais populares e outras menos populares e algumas dessas coisas passaram até aos nossos dias (provavelmente nem tudo passou a livro nem foi documentado). Para além disso, existe também toda uma tradição esotérica e mística portuguesa, existem livros sobre isso, com locais como Sintra, dedicados a esses temas. Já para não falar da famosa ordem dos templários (mais tarde convertida na ordem de cristo, como vimos) e que sempre teve uma ligação muito estreita com Portugal. O próprio poeta Fernando Pessoa debruçou-se sobre temas esotéricos, ele chegou a conhecer Aleister Crowley. Crowley esteve em Lisboa e conheceu Fernando pessoa.

    E também existe magia em Portugal, agora se é melhor ou pior do que aquela que se pratica no Brasil, isso eu não sei! Não tenho um conhecimento total nesse âmbito. Mas se o Brasil for melhor nesta área, eu não fico minimamente triste. É natural que um país enorme como o Brasil, tendo uma população maior, tem mais por onde escolher, é natural que tenha mais diversidade. Pelo menos no youtube tem mais pessoas a falar sobre estes temas.

    Apesar de não haver uma grande contribuição portuguesa a nível de livros sobre magia com impacto mundial, em Portugal existem coisas mais tradicionais, que são de cá, mas também existem alguns pais de santo, centros espiritas, assim como algumas pessoas que vieram de África e apresentam os seus serviços. Aldrabões também há, esses existem em todo o lado, em qualquer país. Mas, apesar de haver algumas pessoas a procurar ajuda na magia, penso que, em geral, essas coisas não são muito bem vistas em Portugal, a magia é vista como uma coisa de gente inculta, de aldrabões que se aproveitam da boa-fé e do desespero dos outros, são crendices, as pessoas mais cultas tendem a ver dessa maneira. Aceitam mais a religiosidade cristã, os santos, os milagres de Fátima, mas mesmo esses aspectos são vistos como sendo meras superstições sem sentido, por parte de certas camadas da população portuguesa. Na minha opinião, devemos ter a mente aberta mas sempre com pensamento critico.

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