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sábado, 27 de junho de 2015

Era uma vez uma metafisica que pretendia ser outra coisa!

Duvidar de tudo menos das nossas próprias crenças, isso é muito fácil! O status quo e certas ideologias, filosofias são intocáveis.

O materialismo é vendido como se fosse a explicação mais simples de todas. No entanto, acaba por ser mais complicada do que outras porque, entre outras razões, e segundo as palavras do entrevistado do link abaixo, postula ou pede-nos para acreditar em demasiadas entidades que são meramente teóricas, um mundo inteiramente e eternamente inacessível, do qual apenas podemos obter uma espécie de cópia. Para além disso, continua sendo incapaz de responder a variadas e importantes questões.

Muitos materialistas rejeitam qualquer tipo de metafisica, dizendo que a própria filosofia não serve para nada! (se bem me lembro, penso que até já encontrei, num desses blogues, a imagem de um homem a pensar sentado numa sanita). Cientificismos deste género são frequentes, e ao mesmo tempo também revelam um certo desconhecimento e até ingenuidade.

Em primeiro lugar, tudo é filosofia, não há nada que não seja, e quando falamos de conhecimento, temos de falar de epistemologia e, seja esta baseada no empirismo ou não, tudo brotou da filosofia. Mas será bastante compreensível que certas atitudes fundamentalistas queiram destruir a filosofia enquanto campo de reflexão, porque é certo que conseguimos encontrar bastantes lacunas no materialismo, e como é evidente, alguns não querem que se ponha em causa a sua visão dogmática do mundo.

Em segundo lugar, o materialismo é ele próprio uma forma de metafisica e, ao contrário da crença amplamente aceite, está longe de ser o melhor! (é necessário ter em conta que isto nada tem a ver com religião ou outro tipo de experiências transcendentes, intuições, etc, porque podemos simplesmente basear-nos em puro raciocínio, se assim pretendermos).

Outro aspecto curioso é que, mesmo aceitando a filosofia, os mais “tolerantes” parecem cair em argumentos circulares, denotando a sua incapacidade para ver as coisas de outro ponto de vista que não seja aquele tantas vezes martelado nas suas cabeças desde muito cedo. Certas suposições, pressupostos e às vezes preconceitos estão de tal forma enraizados que minam a liberdade para qualquer pensamento fora da caixa.

Tudo isto teve e tem um impacto e influência na nossa civilização, embora haja divergências de opinião em relação ao tipo e grau de impacto do materialismo enquanto visão filosófica.

O materialismo, segundo alguns afirmam, sendo uma interpretação da realidade (não necessariamente a melhor, como já foi dito), não é crucial para o desenvolvimento de uma ciência pragmática, focada na resolução de problemas e que aposta no desenvolvimento da tecnologia. Neste aspecto, estou inteiramente de acordo.



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O materialismo entrou e nem sequer pediu permissão!










Maratona EQM

Antes de mais, é importante dizer que não se trata de converter pessoas, como se de uma religião se tratasse. Mas penso que existem boas razões para levar a sério (como sendo real) este tipo de experiências. É também importante ter bem claro na nossa mente que as EQM (assim como outros temas) apenas podem ser entendidas com mais clareza quando tomamos em consideração todos os seus vários aspectos. Embora possamos construir argumentações baseando-nos em apenas um ou dois aspectos, é importante juntar tudo e não deixar nada de fora, não ignorar nada. E às EQM podemos juntar outros fenómenos (alguns não tão raros como se possa pensar) e estudos (inclusivamente antropológicos, históricos, etc). E é assim, juntando tudo, que podemos obter uma perspectiva do quadro todo. De forma a obter um todo coerente.

Porque é que eu penso que não vale a pena perder tempo a tentar convencer os cépticos (e afins)? (para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de pensar nisto, volto novamente a tocar neste assunto. E não podia deixar de tocar neste tópico, porque faz também parte do “jogo”, vem juntamente com a embalagem)

Em primeiro lugar, no caso daqueles que dizem que são ateus, principalmente os militantes, é totalmente inútil, uma tarefa estéril. Qualquer pessoa que fale sobre EQM será vista como um “inimigo da razão” e outros preconceitos do género. Certos ateus defendem a razão mas são também eles próprios capazes de dizerem coisas sem sentido e ilógicas. Em certo sentido, alguns parecem estar ao mesmo nível de um bom fundamentalista religioso intolerante, noto que ambos têm em comum realizar interpretações literalistas, ou descontextualizadas, de certos textos e escrituras religiosas, mitológicas, etc.

Quanto aos auto-intitulados cépticos, dá a sensação (falsa) de que ainda é possível estabelecer algum tipo de diálogo. Mas será possível dialogar ou tentar mostrar algo a um materialista convicto? Evidentemente que não! É perder tempo! Não são imparciais, independentemente do que possam dizer.

Por isso, este tipo de informação apenas pode ser destinado a todos aqueles que estão dispostos a aceitar a ideia, aqueles que podem ter reais dúvidas mas não se fecham a essa possibilidade, ou então aqueles que já conhecem o tema mas pretendem aprofundá-lo ou saber mais alguma informação.

Existem também algumas pessoas religiosas que podem não estar satisfeitas com certas revelações, digamos assim, e relatos de algumas dessas experiências. Encaram esses mesmos relatos como totais mentiras porque estão em contradição com a sua doutrina religiosa (ou relatam situações que não estão de acordo com uma determinada interpretação das escrituras dessa religião).

Penso que é essencial continuar com este tipo de pesquisa, incentivá-lo, divulgar toda a informação (mesmo que não queiramos tirar conclusões, ou seja, pode ser algo puramente descritivo), para que haja uma compreensão cada vez maior.

Evidentemente respeitar as dúvidas que possam surgir (as nossas e as dos outros), mas estar sempre atento àqueles que querem simplesmente negar e forçar argumentos e explicações a todo o momento (nem que seja necessário tirar coisas fora do contexto ou introduzir), aqueles que gostam de ludibriar as pessoas, etc. O assunto também não pode ser abordado de forma superficial! Naturalmente, não sou contra um cepticismo saudável, devemos ser rigorosos com certas coisas, devemos estar atentos, mas existe uma diferença entre possuir uma certa dose de cepticismo e disparar balas em tudo aquilo que sai fora do paradigma materialista.

Uma certa vertente filosófica encara a sabedoria como um fluir pela vida, ou seja, dentro deste conceito, o verdadeiro sábio não demonstra uma imensa preocupação em mudar o mundo (seja qual for o sentido pretendido ou a intenção), ou seja, a sua acção não tenta forçar nada nem ninguém, de maneira que a mudança no mundo, quando surge, vem de forma natural, vem como consequência natural e espontânea da sua acção, que é uma acção particular. Neste sentido, no caso de querermos aplicar esta filosofia, penso que não vale a pena entrar ou dar demasiada importância a este tipo de debates, até porque existem várias ratoeiras nestas coisas, o ego normalmente salienta-se bastante, costuma haver fricções e agressividade (sob várias formas), e devemos sempre questionarmo-nos se certas coisas realmente valem a pena. Dito isto, a única função que este género de debate pode ter é única e exclusivamente fornecer determinado tipo de informações e pontos de vista (e para isso até nem sequer necessitamos de debates e confrontos). Os debates (e não só) destinam-se a atingir aquelas pessoas realmente interessadas e de mente aberta, com reais e sinceras dúvidas ou desconhecedoras dos temas. E depois cada um tira as suas próprias conclusões. Mas, ao contrário do que alguns talvez pensem, certos debates (e não só) raramente mudam aqueles que defendem ou possuem uma posição contrária! Não é possível mudar aquele que já se decidiu sobre algo (principalmente quando existe uma assistência, na Internet ou fora dela), porque esses oferecerão sempre resistência e temos de respeitá-los (embora, na minha perspectiva, muitos não têm razão nenhuma nas afirmações que fazem).

Naturalmente, eu também posso ser acusado de possuir demasiadas certezas. Bom, o que posso dizer sobre isso é que certezas absolutas nunca existem, a dúvida está sempre presente, principalmente para quem não tem a experiência directa das coisas (não só em relação às EQMs),mas penso que tudo (não só as EQMs) aponta para que a visão materialista esteja errada.

Em tudo é necessário uma certa dose de fé, mesmo quando estamos a falar de ciência: fé na ciência, fé nos paradigmas, fé nos modelos, fé nas pessoas que fazem parte da comunidade científica, fé nas pessoas que usam as ferramentas científicas (principalmente quando nada entendemos de determinada área e, para alguns, demasiada dependência nos técnicos/especialistas pode ser um problema). Para além disso, o verdadeiro cientista, aquele que procura conhecimento (conhecimento sem sabedoria é inútil, segundo alguns), tem de ter fé, tem de confiar e saltar para o desconhecido, tem de, se assim for necessário, estar disposto a deixar velhas ideias e abraçar novas, e não pode estar apegado a crenças rígidas sobre as coisas. Quando alguns cientistas seguem por um caminho, eles muitas vezes sentem uma intuição ou um sentimento que os impulsiona, têm de confiar e depois logo verão se valeu a pena e muitas vezes vale.

Dizem que, em ciência, devemos testar as teorias, de maneira que uma teoria apenas pode ser aceite quando “sobreviveu” e reuniu suficientes evidências. Mas, como todos sabemos, a ciência é feita por seres humanos, e aqui as dinâmicas de grupo também exercem a sua influência na produção de conhecimento e na aceitação ou rejeição de determinadas visões do mundo. A comunidade científica precisa de estabelecer acordos, consensos e as pressões (vários tipos) para a conformidade também existem neste âmbito, independentemente da qualidade das evidências ou plausibilidade de uma ideia ou conjunto de ideias. Não é menos verdade que a opinião de determinados membros da comunidade científica tem mais influência do que outras, e mesmo os mais prestigiados podem sofrer consequências, se começarem a defender heresias. A nossa tão querida ciência também tem tabus: certos temas são rapidamente aceites, enquanto outros são negados sem hesitar, e muitas vezes aqueles que são negados chegam a possuir melhores evidências do que alguns daqueles que foram acolhidos e abraçados. Há coisas proibidas!

Felizmente temos pessoas que pesquisam seriamente os temas proibidos (não só as EQM), publicam estudos, apresentam casos, divulgam informação.

Em relação às EQM, se considerarmos que são apenas alucinações, teremos problemas com esse argumento.

Se decidirmos, tal como alguns defendem, que este assunto não pode ser tratado pela ciência porque apenas constitui evidência o que é externamente observável, aquilo que pode ser medido ou é acessível aos sentidos. Se decidirmos que experiências subjectivas deste género (devidamente enquadradas, contextualizadas, e cruzadas com outras informações que as confirmam, etc) não podem ser admitidas, então, na minha perspectiva, teremos de repensar muitos aspectos que são estudados hoje por áreas que consideramos científicas, principalmente na área da psicologia, medicina, neurociências, etc. Ou seja, se nenhum tipo de experiência interna pode ser objecto de estudo ou fazer parte de um estudo científico, então temos também um problema.

Por exemplo, eu posso provar que, durante uma EQM, determinada pessoa não teve uma real experiência fora do corpo? Não! Realmente, não posso provar que não foi real. (partindo do principio de que a pessoa não mentiu, claro).

Eu posso provar que, durante uma EQM, determinada pessoa (ou conjunto de pessoas) teve uma real experiência fora do corpo (EFC)? Se eu aceitar como prova determinadas descrições e informações fornecidas por essa pessoa após a experiência ocorrer, então nesse caso sim, existem provas porque há informações precisas e que seriam impossíveis de saber, se a pessoa não tivesse tido uma EFC real. Aliás, há estudos feitos nesse sentido.

Claro que estas EFC podem ocorrer também noutros contextos… Mas neste contexto assume uma outra importância. Para além disso, uma EFC num contexto de uma EQM dá a sensação de ser uma experiência muito mais profunda e complexa.

E aqui estamos nós, num momento de transição, a consciência não consegue ser explicada em termos puramente materialistas, a consciência dá sinais de ser algo que não se confina a um cérebro, e esta ideia nada tem de novo. Considero que existem áreas experimentalmente mais fáceis, digamos assim, e essas áreas podem oferecer evidências científicas que suportem a ideia de que a consciência não está somente dentro de um crânio (e já ofereceram...). Quanto às EQM, admito que existem características diferentes neste caso, e mesmo que alguns continuem a considerar que esta não é uma área de investigação legitimamente cientifica, acredito que a curiosidade não desaparecerá e continuarão a existir estudos e recolhas de relatos, seja qual for o rótulo que lhe queiramos colocar.

Em ultima análise, se de repente a maior parte das pessoas tivesse tido a “mesma” (nunca é exactamente igual) experiência e a tivesse encarado como tendo sido real, passaria a ser real para todos. O real é aquilo que é partilhado por todos!

Quem realmente pode ter a certeza absoluta de alguma coisa? O que vivemos todos os dias é real ou apenas um sonho? O que é real? O que é a matéria? Para quem vivenciou as EQM, em muitos destes casos há algo que sobressai nos relatos deste tipo de experiência: a experiência foi sentida como tendo sido muito real, demasiado real, mais real do que esta que vivemos todos os dias, segundo as palavras de muitas dessas pessoas. Uma dimensão da existência, um plano que em certos aspectos torna-se difícil de explicar usando a nossa linguagem, está além do tempo e do espaço, fora do tempo e do espaço. E para essas pessoas já não resta nenhuma dúvida.











terça-feira, 26 de agosto de 2014

Ateísmo

Cada um deve ser livre para acreditar no que quiser ou não acreditar. Eu também não acredito em tudo e isso é perfeitamente natural. Mas, por exemplo, tal como vemos em muitos debates, acreditar (e dizer com total certeza) que não existe nenhuma realidade para além do que concebemos como material, isso, na verdade, não será mais uma crença?

Se quisermos ser realmente científicos na abordagem, e não tendo a certeza de algo, ou melhor dizendo, na ausência de evidências (embora a palavra evidência possa ser mais abrangente e tolerante do que muitos apregoam por aí...), a atitude mais correcta seria dizer: não sei!

Para além disso, classificar-se apenas como ateu pode suscitar dúvidas, uma vez que existem muitos tipos de ateus: por exemplo, há ateus que são budistas e há ateus que são materialistas. Depois, na minha opinião, a dificuldade de alguns ateus não está propriamente em aceitar a existência de algo transcendente, digamos assim (não gosto muito de usar a palavra Deus, porque talvez, por várias razões, seja inadequado). Os ateus, simplesmente, têm aversão a um determinado conceito de Deus, aliado ao facto de não tolerarem a religião, quer seja por motivos pessoais, quer seja por razões históricas e influências de alguns filósofos do iluminismo que tiveram muita importância em moldar todo um pensamento.

No caso da religião, há aquilo que muitas pessoas chamam de espiritualidade, que lhe serve como base e pode ser visto como algo distinto. Não sou fã de religião organizada, confesso. Faço a minha própria religião porque, se for preciso, gosto de liberdade para mudar a qualquer momento, embora entenda que nem tudo é mau na religião. Penso que existem diversos caminhos e há boas razões para acreditar que existe algo de transcendente. Não se conhece nenhuma cultura sem esse lado do sobrenatural, apesar das diferenças e variantes. Não sei se a justificação é simplesmente a do homem primitivo estar aflito (como podemos estar a qualquer momento) e de repente inventar um ser sobrenatural, que inicialmente era o divino despersonalizado, impessoal (que está em tudo e todos) e gradualmente adoptou uma personalidade humana, tornando-se um criador separado…


É importante perceber que a religião tem muito de construção humana e foi e é produto de uma certa cultura, e às vezes torna-se necessário filtrar certos aspectos. Contudo, isso não quer dizer que o "sobrenatural” não exista!


Sobre a redefinição do ateísmo:


A Ciência e as suas limitações

Certas correntes de pensamento aceitam a existência de um mundo independente da mente humana, mas referem que o conhecimento acerca do mundo é sempre uma construção humana e social, por isso consideram impossível atingir qualquer verdade objectiva e absoluta acerca do mundo natural. Existem limitações reais e por isso as teorias apenas podem ser vistas como aproximações à verdade e nunca verdades perfeitas. Apesar disso, consideram que a ciência, no seu lado prático, pode ser algo que permite desenvolver ferramentas valiosas e possui uma diversidade de métodos úteis. 

Portanto, esse conhecimento, construído pela comunidade científica, tem como objectivo explicar o mundo natural através da elaboração de modelos que podem evoluir à medida que a História avança, e esses modelos são sempre interpretações da realidade e não verdades absolutas. Alguns até dizem que determinados modelos aceites pela comunidade científica não foram e não são especialmente baseados em sólidas evidências, mas foram e são simplesmente uma espécie de moda, digamos assim.

Para além disso, não podemos esquecer que, dentro desta cultura actual, devido a várias razões, às vezes existe uma tentação para distorcer e esconder dados recolhidos em pesquisas. Por exemplo, por vezes, devido a interesses relacionados com negócio (mas não só), muitos optam por não publicar os resultados negativos e, como consequência disso, podemos ficar com uma perspectiva limitada das coisas.

Sob uma determinada perspectiva, podemos afirmar que a subjectividade, o mundo interior é o nosso único mundo, independentemente do que possa existir lá fora. A consciência (vou usar a palavra consciência) é o nosso único mundo. A consciência é o que está mais próximo de nós. Essa é a única coisa que podemos realmente conhecer. Tudo o resto é incerto. No sentido em que tudo o resto é conhecido através da mente, relacionamo-nos com o exterior sempre através dessa consciência ou subjectividade, como alguns gostam de lhe chamar.



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

“É a natureza humana!”

O argumento da natureza humana como desculpa para defender o sistema e determinado (s) tipo (s) de cultura (s)!

Não vale a pena mudar nada porque a natureza humana é e sempre será assim ou assado, dizem alguns. Algumas pessoas pegam sempre no argumento de que os seres humanos sempre serão assim ou assado, porque é a natureza humana e essa é imutável. Mas o que é natureza humana e o que não é? É o velho debate! Somos levados a acreditar que certos aspectos fazem parte da natureza humana e são inalteráveis, mas certas coisas podem ser simplesmente produto de uma cultura e não coisas inatas.

O ser humano tem defeitos e virtudes em graus diferentes. Nós podemos apenas chamar-lhe características em vez de dizer que são defeitos ou virtudes, porque às vezes as coisas são relativas e o que aparenta ser um defeito mais tarde revela-se como uma virtude e vice-versa… Também sabemos que por vezes o ser humano simplesmente adapta-se ao que tem pela frente e desenvolve o que for preciso, mesmo que, por exemplo, tenha de usar certos comportamentos que poderiam ser evitáveis. Por isso, em vez de moralizar excessivamente, o que podemos fazer é implementar um modelo diferente para viver em comunidade, respeitando a individualidade de cada um.

Todos temos necessidades humanas e podemos sempre escolher melhores modelos para viver em comunidade, modelos que visem preencher essas necessidades, na base da cooperação e partilha, para o benefício de todos. Isso não vai contra a nossa natureza, antes pelo contrário.

Há características que podem ser comuns a todos, há muitas diferenças entre as pessoas, há hábitos muito difíceis de mudar, mas o que é realmente natureza humana e o que não é? Ganância, por exemplo, faz parte da natureza humana? Muita gente quer que acreditemos que a ganancia faz parte da natureza humana e é algo que não pode ser mudado nunca. Essa crença convém ao sistema, e assim, uma vez que o ser humano é intrinsecamente ganancioso e egoísta, não vale a pena fazer nenhuma mudança, até porque qualquer proposta de mudança iria levar-nos para a ruína (tipo união-soviética), é isso que eles querem que todos pensem!

Gradualmente, podemos potenciar determinadas características e visões do mundo e, com isso, enfraquecer outras tendências desarmoniosas. Certos comportamentos apenas se manifestam se houver condições para tal suceder, assim como os genes, o ambiente pode ligá-los e desligá-los (como alguns referem). Para além disso, agora há pesquisas que sugerem que os efeitos das mudanças no estilo de vida, os efeitos dos hábitos e das experiências de vida podem passar para outras gerações (num curto espaço de tempo). De lembrar que também acreditavam que o cérebro era “estático” e agora descobriram que o cérebro tem plasticidade e que certos hábitos e práticas modificam literalmente o cérebro, inclusivamente tendo um impacto nas nossas emoções e reacções. Para além disso, há boas razões para acreditar que, por exemplo, o estado emocional de um grupo de pessoas reunidas num determinado momento pode influenciar o comportamento de uma comunidade inteira. De qualquer forma, acredito que somos mais do que genes e ambiente (e ainda há muita coisa nisso da genética que está por explicar), há algo mais em nós e o ponto de partida pode ter sido muito antes do nascimento.

As pessoas não têm noção da força que o subconsciente exerce em nós. Os primeiros anos de vida são similares a autênticos estados hipnóticos, somos demasiado permeáveis a tudo, aprendemos e copiamos um monte de comportamentos, sentimentos, etc e muitos desses comportamentos e sentimentos ficam enraizados. Depois ficamos mais conscientes da nossa vida, o que não quer dizer que a hipnose não continue, ela continua, mas já de forma diferente. Todas as experiências na vida podem ter a sua importância. E existem certos aspectos que, de tão enraizados, podem ser muito difíceis de mudar, embora não seja impossível… A nossa vida é em grande parte gerida por comportamentos e reacções subconscientes. Por isso, estudar novas ideias, ter conhecimento de novas ideias, esse conhecimento adquirido, tudo isso é trabalhado pela mente consciente e a mente consciente, por si só, não pode mudar certos programas do subconsciente. Se assim fosse, bastaria ler um livro e mudaríamos automaticamente certas coisas e, na maior parte das vezes, não é assim que funciona. Ou seja, ter conhecimento não chega! O resto é tema para outras conversas, digamos assim.

Quanto ao passado, há quem diga que antes do neolítico o ser humano era muito diferente em certos aspectos e depois a tendência para se corromper, digamos assim, e complicar certos aspectos da vida aumentou bastante (não defendo que seja necessário voltar atrás no tempo, atenção). Há também outras teorias mais arriscadas acerca do passado da humanidade e de outras civilizações avançadas que se extinguiram…

Penso que não se valoriza devidamente o meio social, já falei nisto varias vezes. Para certas pessoas (uma certa área das ciências humanas) não é lucrativo ou conveniente estudar, discutir, debater, pressionar os governantes, ou tratar de muitos desses aspectos, ou então colocam a coisa apenas num nível teórico e não saem dele. Outros, por exemplo, da área da sociologia, quase não se ouve a sua voz, não sabemos o que pensam nem que estudos fazem, não sabemos que soluções apontam (ou então tenho andado distraído), mas suponho que não haja unanimidade em termos de teorias e soluções. Mas seja em que área for (das ciências humanas ou não), o que mais vemos e ouvimos (nos meios mais convencionais) são as mesmas coisas de sempre (não concordo com grande parte delas, embora haja algumas também interessantes), e verificamos, como era de esperar, um domínio absoluto da economia/politica sobre tudo o resto.

Não sou contra especializações, mas por vezes verificamos que não existe uma perspectiva total das coisas, perde-se o todo e nota-se dificuldade em harmonizar, articular e ligar todos esses conhecimentos provenientes de áreas diferentes. E muitos dos nossos problemas surgem devido a visões parciais e fragmentadas das coisas, teorias e práticas desactualizadas e, na minha opinião, pecamos por não simplificar a vida. Não sou contra especializações, mas por vezes há que ser um pouco generalista ou então saber como articular tudo (todas as áreas, não só as chamadas ciências humanas) no sentido de retirar o máximo proveito.

As soluções que tenho tido conhecimento, com algumas excepções, vêm principalmente de pessoas que no presente não estão ligadas a universidades ou a instituições mais convencionais ou ortodoxas, digamos assim. Na maior parte das vezes são sistemas, propostas, soluções e pensadores livres…

Por isso, voltando aos genes, os genes não determinam nada, os genes não são sentenças no que diz respeito a certos comportamentos, os genes podem talvez predispor, mas isso tem muito que se lhe diga. O meio influencia muito, a cultura influencia muito, a visão das pessoas é totalmente moldada por uma determinada cultura. O meio ambiental e social constantemente realizam o seu trabalho, mesmo que certas mudanças demorem muito tempo...

Alguém poderia argumentar que não podemos saber exactamente qual é a natureza humana (ou até dizer que não existe tal coisa) porque é impossível separar o ser humano do ambiente ou do contexto onde nasce e se desenvolve. É impossível separar o objecto do seu contexto. De qualquer forma, existe tamanha variabilidade e diferenças que torna-se difícil tomar uma decisão absoluta. E se existe uma natureza humana bem definida, até que ponto ela é maleável? O ser humano é adaptável talvez e não fixo. E para além disso, desconhecemos o futuro. Nada é imutável.

Pessoalmente penso que, por exemplo ninguém nasce violento ou ganancioso, as pessoas aprendem a ser violentas ou gananciosas, não é inato. Embora uns tornem-se mais facilmente gananciosos e violentos do que outros, mas não é algo comum a todos e, sendo natural e especifico da nossa espécie, tem de ser comum a todos em todos os contextos.

Existem culturas fora da nossa civilização e até mesmo comunidades muito específicas dentro da nossa civilização onde a violência é praticamente nula e ninguém acumula riquezas desmedidamente… Verificamos cooperação e não competição.

Podemos acabar com a escassez? De que forma está tudo relacionado? De que forma podemos gerir os recursos da Terra para benefício de todos, no sentido de evitar problemas e conflitos? Um sistema monetário ajuda ou prejudica? Podíamos colocar muitas mais questões em relação ao comportamento humano.

É evidente que existem diferenças entre países e as diferenças fazem-se notar a diversos níveis, pois existem razões para assim ser, mas, de uma forma geral, e como já tinha referido outras vezes, independentemente das diferenças, o sistema e funcionamento básico é igual para todos. Esse sistema não é seguro e carrega um potencial para problemas, e uma vez estando todos no mesmo barco, o que acontece noutras partes do mundo pode afectar-nos e as nossas acções podem igualmente afectar os outros. É importante perceber o que é um ecossistema e é igualmente importante saber que existe interdependência a todos os níveis.

O grande erro, na minha opinião, é achar que a civilização mudou (a nossa), ela não mudou, apenas mudou de máscara e manteve a mesma raiz, apesar da tecnologia, ciência (que não é totalmente aplicada), leis e novos direitos. Mas as leis não podem mudar certas coisas, uma pessoa que age na base da punição e recompensa, essa pessoa nunca será genuína e suas acções serão baseadas na polaridade do medo e haverá sempre uma forma de contornar a lei ou mesmo violá-la. As leis são como os antibióticos, necessários por vezes mas problemáticos a longo prazo. Quantas mais leis, mais confusões e novos problemas surgirão. As leis existem (muitas), evidentemente fazem parte do pacote, não resolvem os problemas na raiz, mas é o que temos neste momento para “segurar as pessoas”, e as elites geralmente dão-se muito bem com boa parte dessas leis… Penso que o melhor seria começar realmente a pensar na prevenção e promoção das condições necessárias para construir esse tal ser humano que tanta gente fala e outros tantos não acreditam. Penso que não faz mal nenhum pensar em utopias, a Internet já foi uma utopia (e aparenta ser algo que tem tiques desse futuro. Em certo sentido, é como um presságio, um prelúdio do que poderá surgir mais à frente).







sexta-feira, 30 de maio de 2014

Precognição: Uma prova científica

Há quem diga que experienciamos na vida (exteriormente) aquilo que já trazemos dentro de nós, tal como se de um espelho se tratasse, e muitas vezes não temos plena consciência desses aspectos porque não os conseguimos identificar ou então devido ao facto de estarem de certa forma escondidos, encobertos. Se assim for, e mesmo que não aconteça sempre, tal concepção da realidade pode gerar algum desconforto e desconfiança… A ideia da realidade funcionar como se fosse um espelho não é absurda, na minha opinião, mas continuo a achar que há certos exageros que são defendidos por algumas pessoas e que não correspondem à verdade.

Por outro lado, o que não existir dentro nós passa a existir devido a condicionamentos vários e “contágios”.

Mas, e o futuro? O futuro pode influenciar-nos? Se a resposta for afirmativa, então quantos futuros poderão existir? Ou existe apenas um futuro? Se calhar fazemos demasiadas perguntas, ou talvez faça sentido continuar a fazê-las!

Novos estudos científicos demonstram que a precognição existe e é mais comum do que se possa imaginar. Estamos a falar de experiências realizadas em laboratório e que foram replicadas com sucesso. Tendo em conta todos os estudos feitos até ao momento, a conclusão é que existe algo estatisticamente relevante e aqui ninguém escondeu os resultados negativos, ao contrário de outras áreas…

Tudo isto significa exactamente o quê? Se o futuro já existe, há lugar para o livre arbítrio? Sabendo o futuro, podemos modificá-lo? E em que situações podemos modificar o futuro? Até que ponto o presente influencia o passado?

Podemos colocar muitas mais questões, mas baseando-nos nestas experiências, podemos afirmar que existe retrocausalidade, ou seja, o futuro influencia o presente!


Ouvir:



sábado, 29 de março de 2014

Flatland: Explorando outras dimensões

Flatland é uma metáfora acerca da sociedade do Séc.XIX, mas que em muitos aspectos ainda continua actual.

Mudar mentalidades e preconceitos pode ser uma tarefa extremamente difícil, e certos aspectos culturais estão bastante enraizados. Certas experiências e novas ideias, para além de serem incompreendidas em geral, podem não ser muito bem recebidas, principalmente quando falamos de estruturas que se assumem como autoridades e que tentam de alguma forma suprimir essas ideias.

Quando não estamos expostos a diferentes ideias (mesmo que a principio pareçam muito estranhas), corremos o risco de tornarmo-nos mais limitados no pensamento. A diversidade enriquece e abre novas possibilidades que podem ser exploradas. E sem troca de ideias corremos o risco de estagnar e não evoluir para algo melhor.

Sobretudo, é importante que as pessoas saibam que a realidade não tem de ser só uma (esta), o mundo não tem de ser visto como “precisa” de ser visto, o mundo (a sociedade) é uma construção que está sempre a mudar, a cultura (actual) não tem necessariamente de nos dominar até aos ossos. O mundo não é o que precisa de ser, mas sim o que queremos que ele seja… Seguir o rebanho passivamente, sem reflectir, talvez tenha algumas vantagens adaptativas, mas não deixa também de ter imensas desvantagens e nem sempre estamos conscientes delas.

Por outro lado, Flatland fala-nos da possibilidade de existirem outras dimensões.

A existência de outras dimensões é bastante plausível e já é teoricamente aceite pelos físicos. E isto vem abrir muitas possibilidades e implica que talvez existam outros seres que vivem em dimensões que escapam à nossa percepção.

Na minha opinião, a existência de outras realidades (não apenas aquelas que concebemos como materiais) é mais do que provável e deve haver por aí mundos que não conseguimos compreender nem imaginar!







segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Os mistérios do espaço, do tempo e dos seres que neles habitam, a consciência, o Universo e a realidade. (2ª parte)

A realidade tem truques?

Existem as “mecânicas “e os funcionamentos da vida, situações que podemos observar dentro e fora de nós. Padrões que se repetem e que geralmente não recebem a nossa atenção. É certo que nem todas são leis absolutas. Umas baseiam-se em tradições e filosofias antigas e outras são mais modernas, mas todas requerem atenção, até porque por vezes são situações subtis.

Podemos encontrar imensas coisas sobre estes temas, desde livros, palestras, cursos, etc- desde o âmbito mais alternativo até ao âmbito mais convencional e ortodoxo, e tudo com objectivos semelhantes: ajudar as pessoas a concretizarem os seus objectivos, ajudar as pessoas a serem mais felizes, etc. Ferramentas, ideias, “truques”, dicas, sugestões. Umas talvez mais credíveis do que outras. Cada uma baseada em diferentes pressupostos e paradigmas acerca da realidade. Umas talvez mais sábias, outras talvez menos sábias. Umas mais materialistas e egocêntricas e outras de natureza mais espiritual, digamos assim.

Mas vamos dar um exemplo e, para comentar, escolho algo saído da área mais alternativa: a famosa “lei” da atracção!

Muito se tem escrito e falado sobre isto recentemente: filmes, livros, cursos, etc, etc. No entanto, resumir tudo a uma única “lei” talvez seja demasiado redutor, por isso não concordo com tudo o que já foi dito e escrito em relação a este tema e certas coisas podem até ser enganadoras. Nem tudo é tão simples, linear e imediato como alguns defendem. Quer dizer, há pessoas que passaram a vida inteira com medo de ficarem pobres, foram forretas, e a pobreza nunca chegou. Outros fizeram tudo para conseguir algo e nunca conseguiram… E outros até tinham medo que o céu lhes caísse em cima da cabeça e o céu nunca caiu!

Até sou capaz de aceitar a existência e realidade desta “lei”, mas só até certo ponto. Suspeito que todos temos potencialidades escondidas ou adormecidas dentro de nós, mas a verdade é que também temos imperfeições, limitações, coisas e razões que desconhecemos e, por tudo isto, com certeza não podemos fazer, ter ou concretizar absolutamente tudo que queremos num determinado momento da vida… Para além disso, as comparações com as vidas de algumas pessoas e o imitar os métodos e concretizações dessas pessoas- tudo isso deve ser abordado com cautela e deve ser motivo de reflexão, porque as circunstâncias e as naturezas das pessoas são muito diferentes… Com isto não quero dizer que as pessoas não devem mentalizar ou focar a sua atenção nos seus objectivos (objectivos que podem ser bastante possíveis de serem alcançados e até mais do que legítimos), mas às vezes é necessário reflectir e colocar um pouco os pés no chão, ser realista sem ao mesmo tempo deixar de sonhar! No fundo, é isso.   

Depois é também importante referir que, por vezes, mais importante do que pensar ou visualizar um determinado objectivo é simplesmente estar atento aos pormenores e às várias possibilidades que se apresentam no nosso caminho e que geralmente não recebem a nossa atenção (coisa não muito fácil de fazer). E às vezes parece que a vida brinca connosco e é só quando nos desprendemos do objectivo inicial que ele aparece mais tarde, espontaneamente e inesperadamente, porque até já estávamos concentrados noutro caminho ou noutra possibilidade. E isso aconteceu talvez porque estávamos demasiado obcecados por esse aspecto ou objectivo? Demasiada obsessão por conseguir ou ter algo pode gerar preocupação e isso pode atrapalhar. A preocupação e a ansiedade geradas funcionam destruindo a pessoa e surgem associadas a uma elevada expectativa e apego a um determinado resultado. Por isso, para além de tentar reduzir essa expectativa e escolher “estratégias laterais” que rodeiam o “inimigo” em vez de “estratégias” que pretendem enfrentá-lo pela frente, talvez também seja importante às vezes mudar o foco da atenção e até “investir” um pouco mais em “estratégias” menos egocêntricas, transferindo a “energia” do ter e conseguir para o dar, ajudar e inspirar outros.

Também não é difícil verificar que muitas vezes a própria procura pela felicidade pode se tornar num problema. No momento em que dizemos: “Eu tenho de…” podemos estar a construir situações indesejadas. Esta afirmação, por si só, pode fazer muitos estragos… O desprendimento tomado na dose apropriada pode ser uma grande ajuda.

Podemos atrair acontecimentos que classificamos como maus e bons?

Umas vezes parece que sim e outras vezes parece que não, mas sem dúvida que há certas coisas em que não convém focar a nossa atenção, principalmente porque podem ter uma influência emocional e psicológica negativa e podemos entrar facilmente em sintonias indesejáveis. Hoje está bastante claro que, embora nem sempre consigamos colocá-lo em prática, pensar de forma positiva influencia positivamente o nosso corpo. Pensamentos e emoções positivas têm um efeito benéfico na nossa saúde, etc.

Mais cedo ou mais tarde, colhemos aquilo que semeamos?

Talvez…

Depois temos também aqueles que defendem que devemos insistir e ser persistentes e eu acho que têm razão, concordo! Mas atenção porque nem sempre é bom persistir. Se alguém quiser ir em frente e tiver uma parede no seu caminho, ao persistir só arranjará hematomas! Talvez seja melhor passar por cima do muro com a ajuda de um escadote! Às vezes é preciso mudar de táctica ou então mudar de caminho!

Mas esta coisa muito New age da “lei” da atracção também pode ser muito desagradável nas mãos ou, melhor dizendo, na boca de algumas pessoas. Há pessoas que estão sempre a doutrinar, mesmo quando ninguém lhes pediu ou perguntou coisa nenhuma, e dizem todo o tipo de trapalhadas e coisas inconvenientes. São peritos em criar sentimentos de culpa nos outros. Há quem critique por criticar porque ou apenas querem destruir ou simplesmente são pessoas negativas e desmancha-prazeres, não sonham nem deixam sonhar. E depois temos alguns defensores desta “lei” magnética que afirmam serem pessoas positivas, mas ao mesmo tempo destroem quem não consegue pôr a tal “lei” a funcionar. Afirmam cruelmente que se alguém está metido numa determinada situação e não consegue sair da mesma, então é por culpa própria e porque, coitados, não têm vontade suficiente (para esses iluminados, tudo é fácil e, principalmente, rápido). Ou então, principalmente hoje, e numa lógica capitalista, podemos encontrar aqueles que dizem: “Então, já foste empreendedor hoje? Estás nessa situação? Pois, isso é porque não és empreendedor!”

Todos nós já cometemos erros e já dissemos coisas que não devíamos ter dito, mas há pessoas que abusam e muitos destes defensores da “lei do íman” são uns aproveitadores e parasitas que procuram sentir-se superiores à custa dos outros! Mas depois, mais tarde, descobrem que afinal não eram assim tão fortes de ânimo, espirituais ou superiores… Como se já não bastasse a mentalidade competitiva e oportunista da realidade mundana onde quase tudo é feito para impressionar o outro, agora temos também de aturar este tipo de competitividade espiritual, digamos assim.

Mas situações semelhantes podem ser encontradas por todo o lado, não é só no âmbito New age ou mais alternativo. O âmbito mais ortodoxo também tem os seus “joguinhos”…

Depois há também quem diga: “ eu consegui x situação ou concretizei x objectivo porque mentalizei, visualizei e soube usar a “lei” na perfeição…” É evidente que respeito a opinião da pessoa e ela pode até estar mais do que certa. Mas será que ela não conseguiria essa situação x de qualquer maneira? Essa é a questão! É a tal coisa: destino e livre arbítrio- quando é que começa um e acaba o outro?

Por isso, nós desconhecemos muito e às vezes as coisas têm de ser vistas num quadro mais amplo. É necessário respeitar as pessoas e dar-lhes tempo porque nem tudo acontece de forma instantânea nas suas vidas, nem tudo acontece segundo a sua vontade imediata. Por vezes as coisas desenrolam-se dentro de esquemas próprios e que podem até servir um propósito desconhecido. Na verdade, não sabemos. Então cuidado com o que dizemos aos outros e, não raras vezes, as boas intenções só fazem é asneira! Podemos até fazer sugestões, mas a forma como abordamos as situações é sempre importante. E isso requer principalmente sensibilidade e perspicácia que podem ser aprendidas ou inatas… Em certas situações, basta apenas perguntar à pessoa se ela precisa de alguma coisa! E a resposta será dada!

E isto leva-me a pensar que devemos tratar os outros da mesma forma que gostaríamos de ser tratados. É essencial respeitar os outros (mesmo que esses outros não sejam humanos). Isto já é uma frase gasta, mas falhamos frequentemente neste capítulo e existem razões para isso acontecer… Outros “mandamentos” seriam: ter a liberdade para fazer o que nos apetece ou experienciar o que desejamos ou o que sentimos que precisamos, desde que isso não prejudique nada nem ninguém; cuidado com certos julgamentos, principalmente os desnecessários, porque somos todos (quase todos) imperfeitos e estamos todos metidos na mesma alhada; respeitar as opiniões e crenças dos outros. Não forçar ninguém a acreditar nas nossas ideias e opiniões, não querer mudar os outros à força porque isso geralmente não dá bom resultado.

E se formos consultados em relação a algo, damos a nossa opinião uma vez e o resto depois é com a pessoa que recebeu essa opinião, não temos de estar sempre a insistir!

Claro que muitas vezes as pessoas estão enganadas nas suas crenças e opiniões e essas crenças e opiniões podem até prejudicar-nos… E algumas prejudicam mesmo! Para além disso, se alguém estiver perigosamente a caminhar no meio de uma estrada, pode ser conveniente e necessário alertá-lo sobre os perigos e isso poderá ser feito mais do que uma vez! Quero dizer que há sempre excepções, mas às vezes é melhor deixar as pessoas em paz e não insistir.

Concluindo, ao contrário de grandes truques e “leis”, a resposta pode até ser muito mais simples do que imaginamos, mas não a conseguimos ver ou então não a queremos ver…

Se as “mecânicas” da vida realmente existem, que cada um se estude a si próprio (auto-conhecimento) e observe o meio que o rodeia. Que cada um faça as suas próprias experiências e, se possível, não complique o que já é complicado!


domingo, 26 de janeiro de 2014

Os mistérios do espaço, do tempo e dos seres que neles habitam, a consciência, o Universo e a realidade (1ª parte)

Antes de mais, em relação a este e a outros artigos que já escrevi, queria realçar que falo (neste caso, escrevo) segundo a perspectiva de quem reflecte sobre estes assuntos, não falo segundo a perspectiva de quem domina totalmente ou tem mestria e pretende dar lições aos outros. Também não escrevo o que mais me convém, não escrevo o que me dá jeito escrever, escrevo o que me parece mais certo e correcto, dentro daquilo que é a minha intuição pessoal, reflexão e conhecimento actual que é sempre incompleto, e é certo que amanhã sempre posso mudar de ideias, pois não somos seres estáticos, estamos sempre a aprender! Para além disso, tenho a liberdade de escrever e dizer o que me apetece, sem nenhum tipo de receio, pois não estou ligado a nenhuma cartilha científica, religiosa, céptica, esotérica, politica ou de outra natureza qualquer. Portanto, neste momento, sou livre para dizer todos os “disparates” que me apetecerem! Por isso, acho que é sempre bom não estar demasiado apegado a uma determinada doutrina ou sistema em particular, porque isso dá-nos uma certa liberdade de pensamento e liberdade a todos os níveis e, se as circunstâncias assim exigirem, isso permite-nos mudar ou evoluir nalgum sentido. É importante também referir que uma certa filtragem pessoal é necessária em tudo.

A realidade tem truques? A realidade tem segredos? A realidade existe da forma que julgamos? Que tipo de “ Matrix” é este em que vivemos? Existe uma consciência cósmica? Podemos experienciá-la? A natureza do Universo é holográfica? Será o Universo de natureza fractal, assim como podemos observar através de alguns exemplos na natureza? Qual é a verdadeira relação entre a consciência e a realidade? Serão a mesma coisa? E se forem distintas, como se relacionam? Podemos “mexer” e modificar a realidade com os nossos pensamentos, atitudes e comportamentos? Existe livre arbítrio? Podemos atrair coisas e situações? A realidade responde às nossas perguntas? A realidade envia-nos sinais e mensagens? Devemos estar atentos e alerta? Somos guiados? Qual é a função das sincronicidades? São fruto do acaso? Seremos participantes activos ou passivos nesta história? Qual é o propósito dos acontecimentos? O Universo, a natureza, a consciência, a vida-será tudo fruto do acaso? Existia algo antes deste Universo? Provavelmente! Evolutivamente falando, estaremos em condições de entender tudo isto? Ou ainda estaremos num estágio infantil?

Espaço e tempo: será que realmente compreendemos estas coisas? Será o tempo uma ilusão? Será que o tempo não é aquilo que nós julgamos? Passado, presente e futuro existirão todos ao mesmo tempo?

Estas são questões que surgem com alguma frequência e nem sempre são de fácil resposta.

Há quem afirme que a vida não tem sentido e que as coisas não têm nenhum propósito e, perante o absurdo da vida e o sofrimento, tentamos desesperadamente encontrar um sentido para tudo, para não cairmos no vazio e no desespero. De certa maneira, talvez até nem haja nenhum grande propósito e o ser humano (a maior parte) leve tudo demasiado a sério. Pode ser que tudo seja apenas um jogo (mesmo que às vezes fiquemos com a sensação de que esse jogo aparentemente não tem piada nenhuma…). Por outro lado, e aceitando que é apenas um jogo, isto implica que existe um sentido e um propósito, um fim a ser atingido, um fim que até poderá renovar-se constantemente e infinitamente…E, no final, podemos até surpreender-nos porque depois descobrimos que esse tal propósito não era bem o que estávamos à espera! 

A verdade é que apenas percepcionamos uma pequena parte da realidade e pode até ser que essa realidade apenas exista dentro da nossa cabeça (e, de certa forma, apenas existe!). Para além disso, somos formatados pela sociedade em vários sentidos e isso influencia as nossas visões, crenças e perspectivas de várias maneiras.

E, se for tudo uma questão de perspectiva, podemos até colocar a hipótese de habitarmos dentro do organismo de um ser qualquer. E, se assim for, nem nos apercebemos disso! Será que uma célula do nosso organismo saberá quem nós somos? Terá consciência de que faz parte de um corpo humano e que esse corpo humano tem também uma consciência? Mundos dentro de mundos, universos dentro de universos e organismos dentro de organismos… Muitos mundos, muitos universos, muitas dimensões, muitos organismos, diferentes consciências e formas de existência… O microcosmo é um reflexo do macrocosmo? Etc…

E se um grão de areia contém todo o universo, então até um grão de areia possui alguma forma de consciência e, apesar das aparências, tudo pode ser uma única coisa ou, melhor dizendo, um único ser, um único algo, embora apenas captemos partes separadas ou isoladas desse algo.


Portanto, dentro de uma determinada visão que é partilhada por muitos, o universo seria um organismo e todos nós faríamos parte dele. Ao mesmo tempo, o universo está dentro de cada um de nós e, na verdade, nós somos o universo, temos dentro de nós a consciência da totalidade, digamos assim. Nós e o universo somos um só! Todas as coisas e seres não são mais do que diferentes expressões de uma única consciência. De maneira que tudo no universo está interconectado: o que acontece num determinado lado afecta automaticamente os outros lados… E podemos até ir buscar alguns exemplos que nos demonstram essa conexão que falei anteriormente. Mas apenas irei falar de um que talvez até nem seja o mais fantástico de todos, mas mesmo assim não deixa de ser curioso: não sei se já repararam, mas em determinados períodos da História, quando alguém teve determinadas ideias, quer seja a nível politico, científico, artístico, etc, imediatamente noutras partes do globo, outras pessoas começaram estranhamente a ter também ideias semelhantes e isto traduz-se a nível de invenções e outro tipo de situações. É como se realmente houvesse uma ligação qualquer e algo ficasse no “ar” e, de alguma forma, “contaminasse” outras pessoas.  E muitas vezes não existiu nenhum tipo de contacto entre essas pessoas. Inicialmente, pode ser iniciado por uma única pessoa ou então começa de forma sincrónica… Obviamente, verificamos mais esta situação quando estamos a falar de culturas iguais ou semelhantes.



Jogo de Polaridades

A dualidade está presente na “mecânica” da nossa realidade. Pelo menos, temos essa percepção, mas poderá essa percepção ser uma ilusão? Para uns, os opostos complementam-se e são diferentes aspectos de uma mesma coisa. Para outros, são coisas distintas.

O prazer e o sofrimento andam de mãos dadas, um esconde-se por detrás do outro. Parecem ser duas polaridades opostas, mas, ao contrário de outro tipo de polaridades, talvez estejam assentes numa lógica diferente… Não sei!

São, de facto, duas experiências que fazem parte da vida:

Para uns, a vida consiste em experienciar ambas as polaridades de forma intensa, o que significa que tanto podem ter momentos de grande prazer assim como momentos de grande sofrimento. Neste caso, existe uma alternância entre dois picos extremos;

Para outros, a vida consiste em experienciar mais uma polaridade do que outra e em diferentes graus;

Depois existem também aqueles que experienciam um equilíbrio entre as duas polaridades, mas sem atingir picos extremos de cada uma delas;

Podemos fazer muitos tipos de comparações e medições, mas, de certa forma, cada um sente as coisas à sua maneira e situações semelhantes podem provocar diferentes emoções e reacções em cada um de nós.

Não sei se há quem sinta sofrimento no prazer, mas parece que há quem sinta prazer no sofrimento.

Dizem que ambos cumprem uma função na vida (assim como algumas características pessoais que apenas se transformam em defeitos quando o outro não as considera bem-vindas, desaprovando-as…), dependendo da perspectiva que se queira ter (biológica, psicológica, espiritual, transcendental, etc.). Mas, apesar de tudo isso, e por razões óbvias, a maior parte de nós tende a evitar o sofrimento!

O prazer e o sofrimento terão o mesmo grau de complementaridade que outras coisas? Poderemos prescindir de um e ficar só com o outro?

Se puxarmos o prazer até um certo limite, em seguida poderemos ter a conversão ou transformação na polaridade oposta- o sofrimento (por exemplo, esse limite pode ser entendido em termos de frequência elevada e excesso de estimulação. E o sofrimento pode vir na forma de insatisfação permanente, mas não se resume apenas a isso…). Da mesma forma, se o sofrimento for esticado até um certo limite, eventualmente cessará e em seguida o alivio proporcionado virá na forma de prazer. Neste caso, na presença de um certo sofrimento, também apelamos mais ao prazer, esse prazer é mais desejado e poderá até ser sentido de forma mais intensa.

No entanto, não faz nenhum sentido querer sofrer para a seguir experienciar o prazer de forma mais intensa. Podemos conseguir essa intensidade sem primeiro passar pelo sofrimento (provocado ou não). Apenas não precisamos de forçar esse prazer, ou seja, a chave está na moderação e na criação de intervalos de privação que nos permitam depois atingir o objectivo pretendido.  

Se o prazer e o desejo não têm nenhum tipo de freios e são procurados a todo o momento, o sofrimento e a insatisfação estarão logo ali ao virar da esquina, estarão bem perto e instalar-se-ão!

É evidente que a vida, se possível, pode e deve ser um prazer constante. É legítimo ter ou buscar o prazer e o bem-estar e certas situações são naturalmente possíveis de serem vividas continuamente (por exemplo, o prazer de fazermos o que gostamos, profissionalmente, artisticamente, etc). Mas já em relação a outros prazeres ou situações, eles devem ser sabiamente geridos, pois objectivamente podem provocar-nos insatisfação e até sofrimento.

Por outro lado, há, por exemplo, um tipo de “sofrimento” que não é bem um sofrimento: o exercício físico! (claro que tudo depende da intensidade e do tipo de exercício). Este não é de evitar (caso não haja contra-indicações).

O exercício físico pode ser facilmente controlado por nós e se for abordado convenientemente, geralmente provoca um bem-estar que surge logo a seguir a esse “sofrimento”. Neste sentido, é uma das formas de se conseguir obter uma sensação de prazer e relaxamento e encaixa nesta ideia de conversão de polaridade.

Na prática, nem sempre conseguimos atingir o equilíbrio desejado, mas tudo o que escrevi até aqui pode ser facilmente verificável (não se trata de morais religiosas ou de outra natureza similar, mas simplesmente consiste em estar atento e gerir as coisas no sentido de melhor desfrutar delas…).

Há também quem diga que a eliminação completa do sofrimento poderá ser atingida através da cessação do desejo (de forma geral) e de uma espécie de transcendência, e temos várias correntes religiosas e filosóficas que falam precisamente disso. Neste caso, seria talvez a obtenção de um prazer diferente e duradouro.


Na minha perspectiva, é uma boa ideia simplificar a vida, sim, mas só até certo ponto… (já falei sobre este assunto, por isso não vou repetir). Mas cada um encontra o seu próprio caminho e o seu próprio equilíbrio. Filtramos as coisas à nossa maneira, não há que seguir doutrinas ou cartilhas rigidamente estabelecidas! Talvez não haja receitas perfeitas e cada um tenha de encontrar a sua própria receita…



terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Talvez

Há um conto Taoísta sobre um velho fazendeiro que trabalhou em seu campo por muitos anos. Um dia seu cavalo fugiu. Ao saber da notícia, seus vizinhos vieram visitá-lo. “Que má sorte!" Eles disseram solidariamente. “Talvez," o fazendeiro calmamente replicou. Na manhã seguinte o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens. "Que maravilhoso!" Os vizinhos exclamaram. "Talvez," replicou o velho homem. No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e quebrou a perna. Os vizinhos novamente vieram para oferecer sua simpatia pela má fortuna. "Que pena," disseram. “Talvez," respondeu o fazendeiro. No próximo dia, oficiais militares vieram à vila para convocar todos os jovens ao serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo que o filho do velho homem estava com a perna quebrada, eles o dispensaram. Os vizinhos congratularam o fazendeiro pela forma com que as coisas tinham-se virado a seu favor. O velho olhou-os, e com um leve sorriso disse suavemente: "Talvez."


(Esta talvez não seja a versão original do conto, mas o fundamental está presente)



Embora tudo seja transitório, há acontecimentos desejáveis e não desejáveis. Num determinado momento, preferimos que certas coisas aconteçam e outras não, isso é perfeitamente natural. Mas, na sua essência, os acontecimentos são bons, maus ou neutros? Há acontecimentos que servem algum propósito? Qual deve ser a nossa atitude perante os acontecimentos? A vida é feita de contradições ou por vezes serão complementos? 



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Os Três Pilares

(sobre saúde e não só)

Na minha opinião, existem três pilares essenciais que ajudam a ter uma boa saúde. Na verdade, existem muitos mais aspectos essenciais e não podemos esquecer os aspectos mentais, emocionais e a importância de uma vida sem stress (talvez não seja possível eliminá-lo sempre, mas pelo menos convém diminui-lo). Mas se é verdade que as emoções e os pensamentos podem influenciar o corpo, também é verdade que, ao violar e negligenciar estes três pilares, dificilmente conseguiremos obter o estado mental e emocional desejado! E por isso decidi escolher estes três pilares, porque começar pelo corpo é sempre mais fácil do que começar por outro sítio qualquer.

Também é importante referir que, ao cumprir e respeitar estes três pilares (o que por vezes nem sempre acontece e pode ser simplesmente por desleixo ou por outras razões), não estaremos completamente imunes a tudo o que possa existir! É certo que eles são uma grande ajuda e estaremos a prevenir uma série de situações, mas infelizmente não conseguimos controlar todos os factores.

O estilo de vida e o meio são muito importantes. O meio é de extrema importância porque é ele que pode “ligar ou desligar certos botões” e incluo aqui também o meio social! E eu até diria mais: se quiséssemos construir uma nova civilização (a tal), iríamos ter muitas surpresas, não só porque teríamos comportamentos realmente ecológicos e viveríamos num meio muito mais limpo e verde, mas também porque socialmente faríamos um upgrade que estaria mais de acordo com as nossas possibilidades e conhecimentos actuais (uma nova humanidade) e isso só nos poderia trazer grandes vantagens.

Têm-se realizado algumas mudanças a nível ambiental e ecológico e principalmente fazem-se muitas promessas! Contudo, muito mais podia ser feito e lamentavelmente certos interesses continuam a falar mais alto… A verdade é que não estamos no bom caminho! Quanto ao resto (aspectos sociais, etc), nem vale a pena falar… A teimosia infelizmente irá trazer-nos ainda mais dissabores!

A saúde é influenciada por todos estes factores, e quem ainda tiver uma visão reducionista das coisas, esqueça! Está completamente enganado!

E porque valorizamos muito a nossa saúde e a da comunidade (mesmo sabendo que as nossas simpatias não se estendem a todos), é importante não esquecer que muitas vezes são os pequenos pormenores que fazem a diferença e muito se fala sobre promoção da saúde e prevenção da doença, mas por vezes é mais conversa do que prática (é apenas uma opinião pessoal). Depois sempre preferem investir quase tudo no grande aparato, na complexidade, nas grandes soluções (nem sempre tão boas), mas na simplicidade investe-se muito pouco! É um pouco como aquele problema dos fogos florestais, em que nunca é dada a devida importância às medidas de prevenção.

Reconheço que evoluímos muito tecnicamente, hoje em dia controlamos muitas doenças, vivemos mais tempo (em média), mas nem tudo são maravilhas, nem todos os argumentos orgulhosos fazem sentido e ficamos sempre com a sensação de que muito mais podia ser atingido… (ah, e sempre muita cautela, porque de vez em quando aparecem por aí uns abutres oportunistas oferecendo ajuda…)


Portanto, voltando um pouco atrás, e não sendo propriamente novidades, aqui estão os três pilares:

-Sono reparador: é de grande importância ter um sono de qualidade. Durante o sono, tudo abranda e, para além de outras razões que já estão mais do que estudadas, acredito que estamos ligados a algo e através dessa ligação recarregamo-nos energeticamente (é apenas uma desconfiança ou sensação muito pessoal). Por vezes as melhores ideias criativas aparecem precisamente quando acordamos depois de termos dormido uma noite inteira ou então surgem naquela fase entre o sono e a vigília (e sempre de forma espontânea). É certo que essas ideias criativas podem aparecer em muitas outras situações e contextos, e talvez haja um aspecto comum a todas essas situações, mas fica a sensação de que o sono tem algo de estranho…Terá a mente mais liberdade nesse momento? Poderá a mente viajar? Será que quando acordamos esquecemo-nos do essencial? E o que dizer sobre os sonhos?

- Alimentação saudável: para além de uma boa hidratação, é importante ter uma dieta equilibrada que nos forneça as quantidades necessárias de nutrientes (e neste aspecto, em relação às quantidades recomendadas de certos nutrientes, nem todas as opiniões são unânimes). É também importante referir que os suplementos existentes na forma de comprimidos, vitaminas, por exemplo, podem ser benéficos nalgumas situações, mas nada substitui os alimentos vivos e de qualidade! Porque os alimentos, esses sim, são completos, têm tudo! O alimento funciona como um todo e o comprimido não, pois falta-lhe sempre muita coisa. Por isso convém sempre comer alimentos, com a excepção da vitamina D que dificilmente será obtida nas quantidades adequadas através de alimentos, e aí só há duas opções: exposição solar ou suplementos. Se a exposição solar não for possível e no caso de não haver problemas em tomar a vitamina D (contra-indicações), sendo necessário, é sempre uma boa opção tomar um suplemento (inclusivamente, poderá ser feita uma análise de sangue para verificar quais são as suas necessidades de vitamina D). Há entidades que recomendam tomar 1000 UI diárias e há também quem recomende tomar menos. Uns estabelecem 1000 UI como limite, outros referem que 2000 UI deve ser o limite quando tomado sem orientação médica e há também aqueles que defendem que é seguro tomar mais do que 2000 UI. Mas, mais uma vez, tudo poderá depender das necessidades específicas de cada pessoa. Já quando a conversa é exposição solar, o organismo consegue produzir naturalmente muito mais do que 1000 UI, mas aí a história é diferente.

Consumir alimentos, de preferência orgânicos e de qualidade ou então, na impossibilidade de consumir apenas este tipo de alimentos, incorporar pelo menos alguns na dieta. E isto é um problema porque a maior parte das pessoas não tem possibilidade de consumir muitos destes alimentos. E neste aspecto penso que muito mais podia ser feito no sentido de tornar estes alimentos mais acessíveis. Temos conhecimentos e condições para isso, mas andamos movidos por “motores” desaconselháveis e, segundo alguns, isto é mais um problema de mentalidades e não tanto um problema técnico.

E para quem procura algum reforço, sempre pode tomar ou acrescentar à sua dieta alimentos especiais que são muito ricos e completos, tais como o pólen ou a geleia real, etc (atenção, quem for alérgico ao pólen ou a produtos de colmeia, terá de escolher outro tipo de alimentos que sirvam de reforço).

- Exercício físico: exercício adequado e adaptado às capacidades e possibilidades de cada um, e é importante uma boa gestão para não gastarmos muito mais energia do que aquela que possuímos. Deve se ter atenção aos exageros, cuidado com os exageros, e certas coisas devem ser muito graduais.

O movimento é também uma forma de arte. Tudo tem a sua técnica e arte, e a mente está muito envolvida em tudo isto. Podemos dizer que de certa forma o exercício pode ser encarado como uma espécie de alquimia interna (e há tradições que defendem precisamente isto). Durante o exercício, é gerado um calor interno que depois serve para fortalecer, por exemplo, o sistema imunitário e o organismo é também estimulado de várias outras maneiras. Os benefícios podem ser imensos (isso está mais do que provado através de vários estudos científicos). Logicamente, se alguém estiver, por exemplo, a arder em febre, não vai meter-se a fazer exercícios extenuantes. É necessário usar o bom senso, saber gerir e dosear as coisas e há situações e momentos que pedem descanso e outros que possibilitam a realização de exercícios.

É necessário pôr a energia a circular (metaforicamente falando ou não…), para não estagnar. Até porque o ser humano não foi feito para estar parado! Não somos vegetais!


Queria terminar dizendo algo que já tinha dito anteriormente num comentário aqui publicado:

Com a verdadeira mudança civilizacional (a tal), a medicina começa onde pode e deve começar: no bom senso de construir comunidades saudáveis a todos os níveis! Desde a agricultura, passando pela arquitectura, até a outros aspectos que hoje são negligenciados na prática. Tudo é encarado segundo uma determinada perspectiva: como sendo diferentes facetas de uma mesma coisa, tudo é abordado com um mesmo objectivo e esse objectivo é óbvio! E tudo (ou quase tudo) pode ser uma forma de arte. E a filosofia está presente em tudo. Mas temos sempre a tendência para isolar e separar demasiado as coisas e há até algumas pessoas que chegam ao ponto de dizer que a filosofia e a ciência são coisas distintas! Serão mesmo? Alguém me pode dizer o que é que não saiu do útero da filosofia? Outra questão é a seguinte: Será que a expressão máxima do ser humano é montar empresas e fazer negócios? Para que serve a economia (esta)? Quais são as bases que a sustentam? Está realmente a fazer-nos bem? O que é que realmente queremos? Qual é o nosso objectivo? É este o caminho que realmente queremos seguir? E se não está mais de acordo com as nossas necessidades, então qual é a alternativa? Este tipo de organização serve os nossos interesses? (dizem que isto é democracia).

Tal como dizia um grande compositor numa entrevista dada há pouco tempo (um daqueles que não entende nada de partituras, um autodidacta que se conecta directamente com a música, porque afirma que ela está em todo o lado. Alguém verdadeiramente inspirado), devemos investir na beleza, na harmonia, e muitas vezes o que vemos acaba por ser no fundo o resultado desse desinvestimento. Pois, realmente, o ideal seria apostar no melhor, mas a verdade é que continuamos a investir em criancices! O mundo está globalizado, temos de reconhecer que há países melhores do que outros em determinados aspectos, mas, na minha opinião, o modelo básico é igual! Por isso, penso que não importa aqui pensar apenas localmente, é necessário ter uma visão global, porque tudo influencia tudo e a nossa pátria deve ser o mundo!

E ainda sobre aquele compositor, dizia ele que, durante o seu processo criativo, nunca sabe o que vai fazer a seguir, ou seja, deixa-se levar por algo que, segundo a sua opinião, é maior do que ele próprio, transformando-se assim num canal através do qual a música se manifesta. Para alguns, a sua música é a música das esferas, digamos assim, é algo de muito superior, inspirador e positivo (bem, são opiniões, mas eu até concordo!). E tudo isto quer dizer que ele nunca deixa o seu pensamento atrapalhar demasiado esse processo criativo porque, na sua opinião, o pensamento limita muitas possibilidades. E também, acrescento eu agora, existe outra situação: quando queremos ser demasiado o protagonista, esse protagonismo atrapalha o processo. É que não somos assim tão importantes! A obra ou a criação poderá ser muito mais importante!

Outra situação é ainda a cultura e a cultura não é necessariamente o que as pessoas pensam e não exige obrigatoriamente cursos superiores e, de facto, títulos académicos podem não significar muito… Para mim, cultura é quando alguém está ou esteve exposto a um grande número de ideias ou informações (seja na forma de arte ou não), mesmo que essas ideias ou informações às vezes sejam muito diferentes entre si. Isso é uma vantagem em vários sentidos. Ninguém pode saber tudo, mas se tivermos uma ideia geral sobre várias coisas, isso já é um bom princípio. E muitos que se julgam grandes intelectuais demonstram por vezes pouca abertura de mente e continuam limitados por uma determinada linha de pensamento e não há nenhuma lei natural que os impeça de aceitar outras alternativas, essas alternativas não violam nada, antes pelo contrário! Por outro lado, as restantes pessoas deviam aproveitar a internet para, com algum critério pelo menos, explorar as várias ideias, porque isso pode mudar perspectivas.

Mas voltando mais ao tema central desta publicação, no que diz respeito à saúde, novas atitudes, novas filosofias, novas formas e abordagens aparecerão e outras serão melhor entendidas, exploradas, aproveitadas e combinadas de forma mais eficaz. Subtileza! subtileza!

O caminho faz-se pensando num sistema integral que tenta não deixar nada de fora, sem deixar de ser prático.  

O foco principal vira-se não só para os problemas do individuo, mas também para o meio e desta vez de forma mais eficaz e genuína.

O conceito de saúde tem de ser realmente entendido como algo abrangente (do papel para a prática). Tudo será realmente importante.

Um novo entendimento do corpo e da consciência poderá nascer, também o retomar de velhas ideias, mas exploradas e desenvolvidas de uma forma nunca antes vista. Novas possibilidades se abrem e a convergência com outras áreas do conhecimento.


É necessário também saber que a tecnologia, também os procedimentos “estandardizados”, a pesquisa, a grande pesquisa e a estatística (que muitas vezes também dependem de interpretações) -tudo isso é importante, mas nem tudo é número, nem tudo é gaveta e cada pessoa é uma pessoa. Por outro lado (ou pelo mesmo lado), o corpo tem várias partes, isso é um facto. No entanto, o corpo não é uma máquina, o corpo é um organismo! E às vezes isso parece que é esquecido…